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    Aqui se inicia o meu blog onde vou tentar com a ajuda dos leitores, se possível, escrever sobre cervejas e cervejarias, mostrar algumas imagens e principalmente tentar dissecar cada cervejaria brasileira.
    Há alguns anos se você quisesse saber algo sobre cerveja seria um tanto quanto difícil, ou recorria a textos escritos em jornais e revistas ou ficava sem saber, depois apareceram os sites das grandes cervejarias, claro que puxando a brasa para sua sardinha, ops! Puxando o gelo para sua cerveja. Atualmente se utilizarmos um mecanismo de busca na internet utilizando a palavra cerveja ou fábrica(ção) de cerveja, aparecerão inúmeros endereços uns bons e outros nem tanto.
    Minha proposta é séria, é tentar escrever a história, pelo menos a parte conhecida ou o que se puder descobrir, fazendo pesquisas, se possível utilizando o saber dos que vierem a ler este blog e tiverem alguma informação em forma de texto ou imagem e quiserem participar.
    Nenhum dos artigos serão escritos em definitivo pois a história da cerveja é um tanto complexa e depende de pesquisas, sempre  haverá alguma mudança ou alguma inserção de texto ou imagem.
    Como estes textos, em sua maioria, foram compilados de várias fontes fiz questão de não alterar as partes de originais aproveitados e para não cometer injustiças com os autores, inclusive posso somente ter tido acesso a alguma cópia não autorizada, por estes motivos faço questão de não colocar as referências bibliográficas, sejam de livros, Jornais, revistas, internet, etc. Os que se sentirem prejudicados, entrem em contato através do e-mail: cervisiafilia@yahoo.com.br, por favor.
    A idéia deste trabalho é levantar polêmica para se chegar a um consenso, muito já se escreveu sobre cerveja e cervejarias, um pouco de história, um pouco de lenda, alguma propaganda e alguma inverdade ou desconhecimento, portanto vamos lá.
    Vamos começar com uma boa cervejaria. Que tal a Canoinhense? 


    Admin · 88 vistos · 0 comentários
    18 Ago 2009

    A Cervejaria Canoinhense

    Para se conhecer a história de uma das cervejarias mais antigas em funcionamento é necessário se falar, pelo menos, sobre duas cervejarias e entrelaçar a história delas: a Cervejaria Canoinhense, de Canoinhas – SC, propriamente dita e a Cervejaria Hanseática, da estrada Itapocu em Hansa-Humboldt, atual Corupá – SC.


    A Cervejaria Canoinhense foi fundada em 1900 pelo cervejeiro alemão Sr. Pedro Verma (Peter Werner?) e pelo Sr. Roberto Bachmann, em Santa Cruz de Canoinhas (depois Ouro Verde e atual Canoinhas – SC).


    Em 1902 foi construída, com um pequeno capital a Cervejaria Hanseática, a primeira cervejaria do cervejeiro João Otto W. Löffeland, na estrada Itapocu em Hansa-Humboldt, atual Corupá – SC. Otto, procedente da Alemanha desembarcou em São Francisco do Sul - SC, em 11 de dezembro de 1897, acompanhado de sua família fixou-se em Hansa-Humboldt, atual Corupá - SC. Casou-se com Ema Ida Witt em 14 de setembro de 1902 e nessa data por um cochilo cartorário seu sobrenome foi alterado para Löffler.
    A cervejaria Canoinhense, de Santa Cruz de Canoinhas, em 1910 foi comprada pelo Sr. Luiz Kaesemodel, mas a mesma ficou parada de 1912 a 1916 devido a Guerra do Contestado que aconteceu na região.

    Em abril de 1924, Otto Löffler (ex-Löffeland) instala-se em Ouro Verde (ex-Santa Cruz de Canoinhas e atual Canoinhas) e adquire a Cervejaria Canoinhense, de Luiz Kaesemodel que se muda para São Bento e abre outra cervejaria, passando a produzir uma cerveja escura de alta fermentação de marca “Mocinha”, o chope claro de baixa fermentação marca "Cristal" e a cerveja “Sport”.

    Passados três anos, em 1927, a Cervejaria Canoinhense, fábrica de cerveja de Otto Löffler, em Ouro Verde (ex-Santa Cruz de Canoinhas e atual Canoinhas) rebatiza uma de suas receitas, a "Cristal", como "Jahú", a pedido do prefeito que queria uma cerveja para homenagear João Ribeiro de Barros, que, a bordo do hidroavião Jahú, havia acabado de fazer a travessia do Oceano Atlântico, saindo de Gênova e fazendo sua parada final em São Paulo, a algumas centenas de quilômetros da pequena cidade do Noroeste de Santa Catarina.

    Em 1930, a Cervejaria Canoinhense, de Otto Löffler, em Ouro Verde (ex Santa-Cruz de Canoinhas e atual Canoinhas) é comprada por seu filho Wilhelm (Guilherme=Willy) Loeffler, assumindo o nome de Fábrica de Cerveja Guilherme Loeffler que também rebatiza a marca da cerveja “Sport” para “Nó de Pinho”.

    Em 1935 Guilherme Loeffler vende a cervejaria, para seu irmão Rupprecht que altera seu nome para Cervejaria Canoinhense de Ruprecht Loeffler e passa a administrá-la.

    Em 1970 Rupprecht Loeffler, cancela o registro da cervejaria e oficialmente encerra suas atividades, passando a utilizar como endereço da fábrica o seu endereço de residência na rua Eugenio de Souza s/nº em vez da Rua 3 de maio 154.  Passa a engarrafar bebidas produzidas por outros utilizando rótulos próprios, inclusive álcool, continua a fabricar refrigerantes e refrescos e a fabricar esporadicamente cerveja.
     
     
     
     
     


    Rupprecht Loeffler, em 1984, registra de novo a cervejaria, agora como Canoinhense e como cervejaria artesanal, auxiliado por um político de Brasília que havia provado a cerveja clandestina e gostado.

     

    Sob a direção do atual dono e mestre cervejeiro, Rupprecht Loeffler, a Cervejaria Canoinhense produz cerveja e chope artesanais baseados em uma receita que está na família há cinco gerações, seguindo a lei de pureza alemã (Reinheitsgebot). Os tonéis de carvalho nos quais as cervejas maturam foram trazidos da Alemanha e têm mais de um século. A produção é de cerca de 1.500 garrafas/mês. As principais marcas são a escura "Nó-de-Pinho" e as claras "Jahu" e "Mocinha". Todas possuem porcentagem alcoólica em torno de 3%. Junto à fábrica está localizado o bar, tão antigo quanto a cervejaria, decorado com animais empalhados.
     



    Admin · 974 vistos · 1 comentário
    18 Ago 2009

    A Cervejaria Concórdia / Cervejaria Gazapina

    No dia 8 de novembro de 1908 foi fundada a Cervejaria Concórdia pelos irmãos Vitélio, Luiz, Carlos, Constant e Jerônimo gazapina, em Santana do Livramento – RS, na recepção de inauguração dessa fábrica, esteve presente o Ministro Plenipotenciário da Itália, comendador Victor Cobianchi.

    Seus produtos foram premiados na Exposição de Torino, na Itália, em 1911 e novamente, na Exposição Internacional do Rio de janeiro em 1922.


    A Cervejaria empregava dezenas de trabalhadores, entre eles muitos imigrantes italianos e espanhóis. Entre os anos 1920 e o final da década de 1960 construiu uma marca reconhecida nos principais mercados de bebidas do Estado e região fronteiriça, a empresa chegou a dominar o mercado de bebidas na fronteira oeste do Rio Grande do Sul, a qualidade de suas bebidas era o diferencial das outras empresas do setor, pois importava sua matéria prima, o lúpulo dos EUA e Alemanha, e o malte do Uruguai e Argentina.
    Os principais produtos fabricados pela Cervejaria eram: O Chopp em Barril, as Cervejas Gazapina Pilsen, Super - Extra, Santanense e Aurora (claras), Touro e Vacca (escuras), Extrato de Malta sem álcool (tônico), Guaraná, Soda Limão, Soda laranja, laranjada Pina, Água Tônica de Quinino, Água de Mesa e Gelo.
     

    A Cervejaria tinha uma enorme chaminé, na qual estava estampado o ano de sua fundação, feita por Vitélio Gazapina: 1908. Embutida na chaminé havia uma sirene, cujo som assinalava determinadas horas. Além de marcar certas tarefas internas, o som da sirene informava as horas a população, cuja maioria não possuía relógio. O som da sirene também retumbava, anunciando importantes acontecimentos, eclodidos no pais e no mundo. Assim, no dia 08 de maio de 1945, ela soltou o seu som com toda a sua potência, anunciando o fim da 2ª Guerra Mundial.

    O Chope Gazapina em barril de 15 e de 30 litros, cada um com sua bomba aspirante, era obrigatório nas grandes festas realizadas na cidade. No tempo dos grandes carnavais de Livramento, a Fábrica Gazapina recepcionava blocos e cordões em suas dependências, com farta distribuição de chope e cerveja. Tais recepções demonstravam a integração da saudosa empresa com a comunidade e atestavam o seu esplendor e a sua pujança.

    Em 1952, essa indústria troca sua razão social para Cervejaria Gazapina S.A.

    A Cervejaria Gazapina prestou um outro serviço de cunho social à população, numa época em que os refrigeradores eram importados e, portanto, inacessíveis às pessoas de pouco poder aquisitivo. Ela distribuía gelo para a conservação de alimentos e esfriar bebidas. As barras de gelo eram transportadas em carroças. Tais veículos de tração animal tinham carrocerias, que pareciam câmaras, mantendo a solidez do gelo, o qual era vendido por barra, meia ou um quarto de barra, duas carroças atendiam a cidade.
     

    Em 1958, a Cervejaria Gazapina fez uma reformulação em seus rótulos alterando seu Lay Out e fazendo com ficasse registrado em seus rótulos o seu cinquentenário.


    Em 1973, da mesma maneira que fora feita em seu cinquentenário, os seus 65 anos, também foram comemorados em seus rótulos.


    Cervejaria Gazapina encerrou suas atividades em 1975, compelida pelos rumos da economia brasileira que inviabilizou as empresas regionais.
    Admin · 913 vistos · 3 comentários
    20 Ago 2009

    A Cervejaria Alfredo Sell / Cervejaria Rio Branco / Indústria de Bebidas Leonardo Sell

    Em 5 de outubro de 1905, num pequeno lugarejo na estrada que subia a serra, à beira do rio Capivaras, próximo à divisa com Lauro Muller, hoje rodovia SC-438, alto da Serra Geral, o filho de imigrantes germânicos Alfredo Roberto Sell, auxiliado por 3 funcionários, instalou num galpão a primeira indústria da região, a Cervejaria Alfredo Sell que funcionava junto à praça do atual centro do município de Rancho Queimado, então distrito de São José em Santa Catarina. Praça que hoje leva o nome do filho do fundador da cervejaria, o empresário Leonardo Sell.
     

    Três anos depois da fundação, em 1908, Alfredo Sell mudou a fábrica para o lugar antigamente conhecido como Vila Baixa, em Rancho Queimado, a cerca de um quilômetro do local original e mudou seu nome para Cervejaria Rio Branco. Ali a empresa funciona até hoje, na atual rua Leonardo Sell, 58.  O motivo da mudança foi o melhor acesso à única fonte de energia então disponível: a água. O novo local ficava mais próximo do rio, que movimentava a roda d'água, responsável pela força mecânica usada na fábrica.
     

    A cerveja que saía da fábrica chegava ao consumidor com a sugestiva marca "Tira-Prosa", um bom marketing para uma bebida tradicionalmente acompanhada de uma animada conversa.

    Das sobras da matéria-prima utilizada na fabricação da bebida, a pequena indústria passou a produzir também um refresco não-alcoólico popularmente conhecido como "cerveja doce". Era envasado nas mesmas garrafas usadas para a cerveja alcoólica - mas sem rótulo - e vendido inicialmente apenas nos arredores. Não só a cerveja foi um sucesso, com a produção e a venda expandindo-se continuamente, como o refresco acabou deixando de ser um mero subproduto. Em 1926, a "cerveja doce" ganhou uma marca própria (Pureza) e o sabor guaraná. Na época o nome não designava apenas uma marca, mas o próprio produto, já que as expressões: "refrigerante" e "guaraná" ainda não eram comuns. Só mais tarde o rótulo da bebida ganharia essas especificações, por exigência de normas governamentais para o setor industrial.

    Somente após 1927, a comercialização direta através do transporte em carroças se expandiu entre Bom Retiro e Florianópolis.

    Ainda nos anos 1930, foram lançados os sabores limão, framboesa, laranjinha e abacaxi. Mais tarde, a família foi completada com as versões cola e laranja. Os sabores framboesa e cola, dependentes de matérias-primas importadas, deixaram de ser produzidos porque o volume de vendas já não compensava os custos.

    As garrafas usadas nos primeiros tempos da Pureza eram bem diferentes das atuais. Mesmo pequenas, eram pesadas, pela quantidade de vidro empregado. Um curioso sistema de vedação impedia a perda do gás, antes que existissem as tampinhas de metal usadas atualmente. A parte interna da garrafa era dividida em duas, uma sobre a outra, ligadas por uma passagem mais estreita no meio, onde a parede de vidro era mais grossa. Dentro da parte superior ficava uma esfera de vidro, parecida com uma bola de gude. A pressão produzida pelo gás empurrava a bolinha de vidro para cima, pressionado-a contra um anel de borracha na parte interna do gargalo, e garantia a vedação. Para beber o refrigerante, era só empurrar a bolinha para dentro da garrafa, deixando parte do gás sair e aliviando a pressão.
     

    Observação: Por não ter conseguido imagens brasileiras deste tipo de garrafas foram colocadas imagens de garrafas de refrigerantes utilizadas em Portugal para visualização do processo da bolinha.

    Em 1940, a Cervejaria Rio Branco, tem seu nome alterado para Indústria de Bebidas Leonardo Sell Ltda, nome do  filho do precursor.

    Em 1954, já tinha como fortes concorrentes a Antarctica (mais antiga) e a Brahma, a cerveja Tira-Prosa deixou de ser fabricada, depois de quase meio século de produção.

    Na década de 1960, foram lançados os refrigerantes: Framboesa, Limãozinho e Laranjinha, em garrafas de 200, 300 e 600 ml. Até esta década, a produção era manual e as garrafas eram enchidas uma de cada vez. Em 1970, a Leonardo Sell comprou sua primeira máquina semi-automática e, em abril de 1996, modernizou a produção com o uso de embalagens descartáveis.


    Em 2008 a Refrigerantes Pureza, como atualmente é conhecida a Indústria de Bebidas Leonardo Sell, A fábrica que começou com 3 funcionários já conta com 52, investiu R$ 80 mil na aquisição de garrafas de vidro e outros R$ 200 mil para engradados padronizados. “A idéia é reavivar as garrafas, tendo o vidro como um foco da indústria do refrigerante”. Atualmente, mais de 70% da produção da empresa é comercializada através de embalagens plásticas

    Admin · 1303 vistos · 0 comentários
    29 Ago 2009

    A Cervejaria Zschoerper / Cervejaria Cruzeiro do Sul


    A família Zschoerper tem um envolvimento bastante antigo com as cervejarias históricas de São Bento do Sul em Santa Catarina. O pioneiro foi Paul Zschoerper, imigrante que chegou ao Brasil em 1883, natural de Wigensdorf, Condado de Chemnitz, Saxônia, na Prússia.

    Paul por volta de 1885 foi funcionário na cervejaria que ostentava o bonito nome de ‘zum Waldschlößchen’ (ao castelinho da floresta) do Capitão Adolph von Altrock, o capitão era tido como o melhor cervejeiro dos tempos antigos de São Bento. Entre 1886 e 1888 participou como sócio de Bruno Ryssel, em outra iniciativa no ramo.

    Em 1898 Paul Zschörper estabelece sua própria cervejaria, que talvez tivesse o nome de Fábrica de Cerveja Paul Zschöper,  no centro da vila, atual Avenida Nereu Ramos, próximo ao Edifício Bavária. Um dos filhos de Paul Zschörper, de nome Otto passa a participar no negócio nos anos seguintes e assume definitivamente a gerencia da firma por ocasião da morte do patriarca, que ocorreu em 1909, mudando o nome da cervejaria para Fábrica de Cerveja de Otto Zschöper.

    Em 1914 a cervejaria passa a fechar suas garrafas utilizando chapinhas metálicas.

    Na década de 20 adotam o nome de Cervejaria Cruzeiro do Sul.
     

    Em 1936, diante da concorrência cada vez maior das cervejas de fora da cidade, vindas de centros maiores como Curitiba, Joinville e mesmo São Paulo e Rio de Janeiro, a empresa promoveu uma reformulação geral da produção e lançou novas marcas de cerveja “Cometa”, “Porter” (nova fórmula) e “Especial”. O lançamento das novas marcas de cerveja ocorreu com bastante alarde numa grande festa de casamento de Otto Rössler Filho com Amanda Telma. Ali foram servidas as primeiras rodadas do que diziam “ein Sonderbier vom Zschörper” (uma cerveja especial do Zschoerper).
     

    Na década seguinte, seriam lançadas as marcas “Princesa” e “Estrella” que ainda hoje estão na memória de algumas pessoas.

    A fabricação de cervejas por parte da família Zschoerper continuou até a década de 1950, quando passaram a dedicar-se à distribuição dos produtos da Cia. Cervejaria Brahma, descontinuando a produção própria de bebidas. Não existe um registro histórico definitivo estabelecendo exatamente o ano em que pararam com a fabricação de cervejas. Seria a última cervejaria dos tempos antigos a encerrar suas atividades em São Bento do Sul.

    Como distribuidora Brahma, a firma Zschoerper funcionou até 1982.

    Admin · 1128 vistos · 0 comentários
    21 Set 2009

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